Manhã de Libertação do Campo de Concentração
Me desperto, não de um sono profundo ou de algum sonho, faz muito tempo que não sei o que é ter isso, apenas me desperto por medo. Toda manhã pode ser a última manhã. Quando despertamos, não sabemos quantos de nós vão se levantar, ou se ao se levantarem, resistirão de pé. O despertador é sempre o barulho abrupto dos guardas adentrando o alojamento aos berros, pancadas e chutes, além dos cachorros latindo e ameaçando quem não cumpri a ordem de se por de pé. Ainda me lembro do meu vizinho de beliche, que ao acordar se assustou com o cão latindo defronte dele. O grito assustado dele, fez com que o cão lhe atacasse direto no rosto, o mordendo de tal maneira, que só escutávamos os gritos lancinantes dele enquanto o cão dilacerava cada pedaço de sua face. Mas nesta manhã nada aconteceu ainda. Olho para o lado, e vejo todos com olhos bem abertos, deitados em suas camas, imóveis, suando, algun...