Amor Neandertal

 


Vale do Neander- 50.000 anos antes do presente

 No escuro da noite, em meio a uma tempestade de neve, um ser segue atento em sua campana. Fixando os olhos na escuridão, tentando enxergar qualquer movimento externo. O som do vento forte, e o revoar da neve, fazem parecer que nenhum perigo pudesse se aproximar em tais condições climáticas extremas.

Dentro daquela caverna às suas costas, está o que de mais valioso ele tem na vida, lá está a razão de toda aquela jornada, riqueza que o faz permanecer atento aos perigos que a escuridão pode trazer. Sua companheira está aflita dentro da caverna, mesmo com a segurança que a fogueira lhe traz, ela sabe que lá fora podem existir perigos capazes de não deixar que seu companheiro retorne.

            Por mais que seus olhos estejam quase se cerrando, o som do vento cortante é a única coisa que o faz não cair no sono. Por segundos, a escuridão da noite se une à escuridão de seus pensamentos, retornando brevemente para o ponto em que tudo começou.

            Quando ele a viu chegar, vinda de um grupo aparentado ao seu, ele não sabia o que esperar. Já passava da hora de ele se unir a uma companheira, um caçador valente, um guerreiro notável, o que fazia que seu grupo depositasse nele a esperança de sobrevivência de suas tradições e costumes. No escuro de seus pensamentos ele se recorda da primeira vez que a viu.

            Ela parecia impiedosa, característica típica das companheiras que vinham daquele grupo vizinho e aparentado. Elas tinham fama de ferozes, pouco domáveis, sendo que ele mesmo havia visto grandes caçadores e guerreiros serem simplesmente trucidados por elas. Mas essa que seria sua companheira, não parecia ser tão feroz quanto a fama. O olhar dela parecia demonstrar algo para além daquilo.

        Os mais velhos ensinavam que, era preciso domar sua companheira, não deixando que elas dominassem o caçador. Um caçador de verdade chegava com sua caça, mostrava seu poder pra sua companheira e a advertia de que, caso não cumprisse com sua parte, seria punida pela mesma força que abateu o animal à sua frente. Ele se lembrava bem dos embates terríveis que assistiu dentro das cavernas.

            Eram companheiros e companheiras se digladiando por qualquer motivo, sempre com algum dos lados saindo avariado nesta disputa. No início, ele até que tentou impor seu domínio, demonstrando que ele era o caçador, ele era o guerreiro, ele tinha a força necessária pra fazer valer a sobrevivência deles, mas, ele não conseguiu seguir em frente com esta atitude.

            Na primeira vez em que ele ameaçou impor sua força, ela simplesmente parou à sua frente, não demonstrando ser intimidada por ele, e o encarou com olhar fixo nos seus olhos. Sem medo, sem raiva ou aparentando qualquer outra emoção latente, ela apenas o observou em sua atuação pífia de dominação. Ele ficou confuso, olhando bem fundo nos olhos dela, tentando entender o que ele deveria fazer.

Confuso, o caçador não entendia a inutilidade de sua força. Sem saber o que fazer, ele simplesmente esticou seus braços, e passou a mão levemente no cabelo dela, acariciando assim parte da testa proeminente de sua companheira.

Sem saber o que estava fazendo exatamente, ele assistiu sua companheira se acalmando, fechando os olhos, como se estivesse adormecida. Ele não entendeu a reação dela, simplesmente continuou fazendo, e ela continuava gostando daquilo.

            Enquanto os casais continuavam com o hábito dos confrontos, ele e ela se harmonizavam de forma intrínseca, deixando para trás uma tradição de combate, trazendo pra ambos a sensação de que não precisavam mais daquilo. Ambos sentiam que só precisavam de uma coisa, de sua invenção.

            Um simples olhar para o céu estrelado da noite incompreendida por aquele mundo, era uma viagem ao infinito do ser daquele casal. O mundo à sua volta parecia não compreender o que havia de especial neles, o porquê da atitude tão diferente que eles tinham daqueles que os circundavam e dos que vieram antes deles. Não havia espaço para a ideia de mundo que eles tinham, então, decidiram ir embora.

            Sem muito olhar para trás, eles deixaram seu grupo em um dia qualquer, sem despedidas ou preparação, simplesmente se foram. Eles iam sem um objetivo certo. Não tinham ideia se formariam um novo grupo, ou se iriam se unir a um outro grupo, só foram embora sem pensar nisto. Tudo que queriam mesmo era poder estar junto do jeito deles.

             Eles vagaram por dias, deixando para trás as tradições e costumes que os acompanhavam desde que se entendiam por si, mas que não cabiam mais em seu universo. Seguiram sem rumo certo, apenas ansiando haver para eles outra forma de vida.

            Conseguiram chegar a um vale, um lugar que parecia perfeito. A neve não chegava naquele ponto, revelando na estação quente, uma bela floresta transpassada por um riacho. Ele era um caçador notável, e ela uma conhecedora dos meandros da floresta, ambos eram excelentes no que faziam, e cuidavam um do outro todo o tempo que sua energia lhes deixava fazê-lo.

            Lá naquele vale foi que puderam desenvolver mais sua descoberta, explorando cada vez mais o poder de seu carinho. Ele ainda podia se lembrar de quando se cansava das exaustivas incursões na mata, e ao retornar para o acampamento, se deitava no colo dela, com ela passando a mão em seus cabelos até ele cair profundamente no sono. O Vale com toda a certeza foi o melhor momento de suas vidas, naquele tempo eles não precisavam de mais ninguém, apenas um do outro.

            Certo dia, ele batalhava para confeccionar algo em uma pedra muito boa de se lascar, a qual havia encontrado na beirada do riacho. Nela haviam alguns pequenos orifícios naturais, e ele foi pouco a pouco esculpindo algo ao redor destes, mantendo-os intactos nesta criação. O que era uma pedra amorfa, foi tomando contorno, transformando-se em uma pequena adaga, que possuía quatro cavidades em sua lâmina.

            Ele teve a ideia de assoprar uma das cavidades da rocha. O som que saiu foi engraçado, fazendo-o lembrar o canto dos pássaros da floresta. Ele ficou lá um bom tempo soprando sem parar, mas sem conseguir reproduzir um som que o agradasse. Poucas vezes na vida ele ficava em fúria, costumava ser paciente na confecção de seus instrumentos de pedra, mas a sua incapacidade de conseguir reproduzir um som agradável, o fez abandonar furioso sua criação. Tudo que ele precisava era da adrenalina da caça, para quem sabe, esquecer aquele objeto maldito criado por ele.

            A caça havia de certa forma aplainado sua raiva, mesmo assim, só de pensar em estar em contato com aquele objeto novamente, já despertava sua ira diante da frustração que tinha certeza que viria. Foi quando, retornando para seu acampamento, ele escutou algo que o fez ficar atônito e estático, permanecendo imóvel em meio a floresta com um enorme javali sobre seus ombros.

         Ele escutava o som mais sublime que havia escutado em toda sua vida. Nem o pássaro com o canto mais belo, conseguia rivalizar com aquela vibração sonora que soava em sua mente. De onde vinha tal sonoridade? Será que eram os espíritos ocultos do qual o xamã de seu grupo tanto falava? Ou será que havia algum ser que não conhecia e que era capaz de emitir um som tão harmonioso e belo como aquele?

            Ele foi se aproximando, passo a passo, e ao tomar visão do emissor daquele som, quase não conseguiu acreditar no que seus sentidos lhe mostravam. Em meio aos feixes de luz solares que furavam o bloqueio da copa das árvores da floresta, lá estava ela, com o instrumento criado por ele, o soprando de forma harmoniosa, fazendo sair do objeto o som mais maravilhoso que seu canal auditivo havia captado.

            Não havia nada o que dizer ou fazer. Ele não queria que ela parasse de soprar e emitir aquele som. O tempo, o vento, a luz, e toda a floresta estavam suspensos em uma catarse particular daquele ser. Ele abandonou sua caça, como se fosse mero pedaço de qualquer coisa, e se deitou no colo dela enquanto ela tocava.

            Ele olhava para o céu ao som doce daquele soprar. Sua visão contemplava a beleza do simples respirar, sentindo-se conectado como um só com sua companheira, vivendo naquele singelo instante, o auge de sua existência.

            Por muito tempo, para eles bastou a vida naquele vale. O carinho e o som daquele instrumento eram os remédios de suas almas. Os dias e noites se arrastavam lentos, não parecia haver nada além deles naquele mundo. Tudo que ele precisava era o colo dela, o som da sua música, e o carinho que ambos denotavam em cada gesto de um para com o outro. Agora, temendo a escuridão, ele pensa quando que poderá retornar para ela, que mesmo há apenas alguns metros de distância, parece estar muito distante.

            Os dias do vale chegaram ao fim. Um caçador conhece bem os sinais da floresta, e ele sentiu aquela presença nefasta se aproximando, um perigo mortal iminente que ele podia facilmente perceber se avizinhar deles. Não restava alternativa, se quisessem continuar sua jornada pelo carinho que haviam descoberto, eles teriam de deixar o vale que tanto amaram viver.   

              Por mais que andassem bastante, ele sentia que ainda estavam sendo seguidos. O cheiro deles era latente, não era como os que conhecia, eram algo diferente, seres que se quer conseguia imaginar como seriam. Uma coisa ele tinha certeza, aqueles seres não eram como ele.

         Esta noite seria crucial para sobrevivência do seu mundo ideal. Se chegassem a salvos no alvorecer, teriam uma chance de sobreviver, mas para isto acontecer, ele precisaria vencer os perigos que a escuridão da noite traria.

            Silêncio... silêncio... Parece que algo se movimenta em meio a escuridão! Mesmo sendo um movimento suave, ele consegue sentir que há algo ao seu redor. Seus instintos entram em modo de alerta. Ele consegue sentir na escuridão que há algo além dele e de sua companheira ali, algo que respira e transpira como ele, algo que se movimenta cortando o ar, um movimento que não é como os animas que ele conhece e caça, mas sim um poder advindo de um ser ele nunca confrontou.

            Sua lança na mão é sua maior proteção. Ele tem fé nesta lança, quantos animais haviam perecido diante dela? Tantos que não poderia contar. Nos combates rituais do passado, ele havia vencido os mais fortes de todos os grupos que haviam passado pela caverna sagrada durante o período do festival. Então, APAREÇAM! APAREÇAM! APARE...

            Algo duro e totalmente sólido se choca contra sua cabeça, algo vindo da escuridão. Ele se quer pôde calcular o que seria devido à fúria que recaiu sobre si após o impacto. A pele de suas vestes ameniza a perfuração que um objeto cortante faz, enquanto sobre ele uma sombra o ataca com total violência.

            Ele tenta enxergar o que o ataca, mas o impacto do objeto que o atingiu faz o sangue ceifar qualquer possibilidade de visão. São sombras, apenas sombras, sombras estas que o atingem na escuridão daquela tempestade.

            De longe aquele ser é perigoso, mas próximo a força deles não é impactante diante de sua estrutura robusta. Ele choca as costas da sombra em uma pedra, sentindo o estalar de ossos da sombra que se rompem com o impacto. Ele não consegue ver o ser, mas tateia na noite algo que parecia ser uma pequena cabeça, que no tato lhe parece semelhante à sua. E se era semelhante à sua, bastava torcê-la para que se rompesse.

         Um grito agonizante ecoa pela escuridão. O som dos ossos do pescoço do ser se rompendo poderiam ser ouvidos ao longe. Aquele ser das sombras estava morto, o que não deu muito tempo para alívio, pois outra sombra caiu sobre ele. Quantos seriam? Quantas sombras ainda o atacariam antes que pudesse retornar para a caverna?

            Esta segunda sombra caiu perto demais dele. Talvez a sombra não tenha ideia da dimensão de seu poder, acreditando que bastaria uma perfuração e ele cairia desfalecido na neve. Ledo engano da sombra. Mesmo avariado, ele é capaz de capturar com suas mãos algo que parecia com seu braço, só que bem mais fino, e parecendo ser bem mais frágil do que o dele.

            Uma torção gira totalmente aquele braço, o que faz com que a sombra emita um grito alto, mais intenso até do que dos animais que ele abatia. Sua visão continua turva, o vermelho do sangue é a única imagem que consegue definir. Em sua fúria, ele esmaga o peito da criatura, pisando no ser repetidas vezes, afundando a sombra na neve, tal como que apagasse uma fogueira. Ele pisa, pisa, pisa cada vez mais forte, até que os gritos de dor da sombra sejam findados.

            Cambaleante, ele consegue enxergar o pequeno faixo de luz saindo pela entrada da caverna. Ele se arrasta para lá, indo ao encontro de quem acabara de proteger, e que poderia cuidar dos seus ferimentos. Na boca da caverna ele é amparado por ela, que o conduz para o interior, buscando no calor do fogo alguma segurança. Mas na entrada da caverna, mais uma das sombras está invadindo seu território.

            Ele já não consegue enxergar nada, mas ela consegue ver parcialmente o que é aquela sombra. A sombra se parece com eles, pelo menos tem a mesma forma que eles, mas mesmo assim, o ser definitivamente não igual a eles. Não havia tempo para raciocinar o que era aquela sombra, só dando tempo de ele se lançar novamente contra um inimigo.

            No pequeno espaço da caverna, a sombra e ele se entrelaçam, ele busca atingir seu inimigo com o máximo de seu poder. As perfurações que recebe nem se quer fazem mais efeito, foram tantas até aquele momento, que pareciam apenas pequenas cutucadas em sua pele. Ele choca a cabeça daquele ser por toda a parede, perfurando seus olhos com os dedos, em seguida tenta quebrar a mandíbula do ser com suas mãos poderosas.

            O sangue voa por toda a parede, esguichando como nas pinturas que o xamã fazia na caverna sagrada. Ele consegue ficar por cima daquele ser, o atingindo com toda a força de seus punhos, mais e mais forte a cada golpe, até que os golpes começam a perder força... perder força.... perder força... até ele cair desfalecido em cima de seu oponente.

            O inimigo por um breve instante pareceu não se mover também, não aparentava ter sobrevivido ao intenso ataque dele. Até que a sombra emerge por debaixo daquele corpo enorme. Seu rosto apenas é um emaranhado de traumas e concussões, mesmo assim, na penumbra de uma fogueira quase apagada, ele sorri, deixando a mostra os poucos dentes que lhe restaram na boca depois do combate.

            Ela agora consegue ver aquele ser, que caminha rumo ao prêmio daquela caçada. O ser abre sua pele, mostrando um corpo muito diferente do que ela havia reconhecido como sendo alguém. Com um membro quase em riste, o ser avança para pegar sua presa. Ela fica imóvel, sem ação, se quer emitindo o som de sua respiração. O ser levanta sua arma, temendo mais um ataque de sua presa. Mas ela não apresenta resistência, abrindo suas pernas, não haveria mais combate.

            Seu sorriso ganha forma na penumbra, agora seu membro se encontra totalmente enrijecido, pronto a penetrar o prêmio da guerra travada naquela noite. O ser se aproxima, chegando cada vez mais perto. Ela sente a respiração ofegante do ser, conseguindo até mesmo escutar seu coração acelerado ante sua excitação. Mas quando ele está quase em cima dela, algo acontece.

            A adaga em forma de flauta rasga o pescoço daquele ser, que não consegue demonstrar nenhum sinal de que irá tentar tirá-la de lá.  Ela havia penetrado tão fundo a adaga, que não havia possibilidade de aquele ser conseguir retirá-la. Quem retira a adaga do pescoço do ser é ela mesma, que em uma fúria jamais sentida e imaginada por ela, se lança a perfurar o seu rosto repetida vezes. Ela perfura o crânio do ser até que não haja se quer um rosto para que ela pudesse pelo menos saber a feição daquele que havia acabado com seus sonhos e planos.

            A luz da manhã entra pela caverna. Aquele seria o sinal de que haveria esperança, mas não houve salvação naquela noite. Ela retira aquele ser maligno da caverna, mesmo morto o ser era um intruso, e ela tinha que ficar a sós com seu companheiro, que jazia de bruços próximo ao resto da fogueira.

            Aproveitando o faixo de luz que penetra o interior da caverna, ela vira seu companheiro e consegue ver seu rosto. Mesmo ensanguentado e afundado em parte de sua face, ele parece dormir sereno, como quando estavam no vale. No seu grupo apenas os bebês podiam chorar, não era permitido demonstrar a tristeza diante de qualquer situação. Mas naquele momento, ela só queria dar vazão à toda sua agonia diante do que lhe foi tirado.

                Ele parece só dormir, e ela o coloca em seu colo, passando a mão em sua face, percorrendo com o leve toque de seus dedos cada parte do rosto adormecido dele, deslizando por seus grossos e ásperos cabelos, esperando, mesmo que saiba que não mais, seu companheiro suspirar mais uma vez. O som lá de fora anuncia que uma avalanche recaí sobre a montanha, portanto, não haveria muito tempo até que a neve tomasse conta daquele espaço.

            Mas o perigo iminente não parece atordoá-la. Com calma, ela pega sua flauta, a mesma que minutos antes perfurara em fúria a face de outro ser, e começa a tocar o som que costumava tocar no Vale. O som de sua música poderia fazê-lo voltar? Ela sabia que não, mesmo assim, para ela lhe parecia que ele dormia profundamente em seu colo, desfrutando do som inspirado no amor que ela tinha por ele.

            A neve entra de uma vez, calando o som daquele instrumento para sempre, transformando em escuridão o brilho daqueles dois seres que um dia viveram como um só.

 50.000 anos depois

             Homem: Cuidado! Muito cuidado.... Isso pode ser a maior descoberta da arqueologia moderna, não podemos correr o risco de estragarmos este objeto.

            Mulher: Isso, pode ir tirando ele... vamos ver o que temos aqui... parece um objeto perfurante, provavelmente um instrumento lítico..., mas tem umas cavidades...

            Homem: Amor, acho que pode ser algo relacionado com som.

            Mulher: Uma espécie de instrumento musical? Nunca vi isso em um sítio Neandertal.

            Homem: Não sei, mas é o que parece pra mim...

Laboratório Arqueológico de Viena- Áustria


            Homem: Caramba! Ainda não processei o que foi essa descoberta. Olha isso amor, um possível instrumento musical Neandertal! É incrível...

            Mulher: Sim, eu estou há horas admirando isto.

            Homem: Sabe o que me deixa intrigado com o que fazemos?

            Mulher: O quê?

            Homem: Não sabemos nada sobre quem o fez... É frustrante não saber quem fez, e o porquê um Neandertal faria um instrumento de música.

            Mulher: Talvez eles no fundo não sejam tão diferentes de nós....

            Homem: Sim... Talvez sejam muito mais semelhantes do que pensamos. Fico pensando, o que será que era tocado nele?

            Mulher: Quem sabe era um som inspirado pela paixão, pelo romance, pelo amor...

            Homem: Hummm... Deixe-me pensar, um som tipo de Serenata do Amor Neandertal! O que acha do nome?

            Mulher: Meio cafona..., mas está valendo.

Homem: Depois você me diz que não sou romântico...

Mulher: Você é o arqueólogo mais romântico do mundo, o que não é grande coisa..., mas, sem brincadeira, é triste mesmo não sabermos de nada.

            Homem: Você acha que eles amavam como nós?

            Mulher: Talvez... Não acho esta ideia tão maluca assim.

            Homem: Eu também não acho... só duvido que uma Neandertal tenha um carinho tão gostoso quanto este seu.

            Mulher: Será?

            Homem: Isso eu acredito, tenho certeza que nós somos muito mais evoluídos que eles neste aspecto.

 

            


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